RYOTiras 10 anos de tirinhas relativamente engraçadas quase todos os dias

Em Janeiro comemoramos 10 anos da produção intensa de Ricardo Tokumoto, com mais de 3 mil tirinhas, o aniversário é comemorado com o lançamento do 5º livro da série que reúne a produção de tiras, originalmente publicadas online, no site ryotiras.com e na página do Facebook, desde de 2014 até agora e a exposição no Centro de Referência da Juventude no evento do Dia do Quadrinho Nacional.

Eu bati um papo com Ryot sobre sua história como quadrinista e seus futuros projetos. Carol: Ryot, acho que uma pergunta que é sempre feita, mas é sempre uma curiosidade, como começou a ideia de publicar tirinhas e como foi esse processo no começo?

Ryot: Começou na minha época de adolescente, que eu curtia hardcore e percorria o cenário punk do interior de São Paulo, movimento que sempre nutriu a cultura do fanzine de maneira muito forte. Assim as tiras foram surgidos entre textos de contracultura, e foi onde percebi o poder da linguagem e do formato. Quando me mudei pra Belo Horizonte, resolvi criar o blog para continuar produzindo as tiras.

Carol: Já haviam referências de outros quadrinistas que publicaram seus materiais online? Com qual objetivo ou qual a ideia por trás de disponibilizar o material gratuitamente? (Você já pensava em publicações futuras, usava como portfólio, era uma experiência...)

Ryot: Já existia o movimento de webtira fora do Brasil, mas aqui, a influência maior foi o André Dahmer dos Malvados. Pra mim, ele foi um dos pioneiros nesse sentido, de publicar online de forma gratuita. Desde a época dos fanzines já rolava essa idéia de transmitir as idéias, mais do que tentar ganhar dinheiro com isso. Então o intuito sempre foi tentar alcançar mais pessoas. Os livros e impressos foram vindo como consequência, e claro, uma tentativa de atingir pessoas novas e conseguir me firmar como quadrinista em outras plataformas.

Carol: Você já trabalhou com animação, jogos digitais, livro infantil e quadrinhos, você acha importante esse conhecimento e interesse multimídia? Como você trabalha lidando com tantos interesses?

Ryot: Hoje em dia temos disponíveis todas essas possibilidades de linguagem, seria tolice se prender a apenas uma delas. Porém, é muito difícil ser bom em todas. Acabamos sempre focando e desenvolvendo melhor em alguma, mas com certeza esses conhecimentos transitam entre as formas. Muita coisa que aprendi no curso de animação acaba sendo utilizado nos quadrinhos, muita coisa do quadrinho vai pro livro infantil… os jogos digitais acabam também se aproveitando dessas linguagens e tudo vai se complementando e fechando um ciclo. É difícil lidar com tantos interesses, mas o que me ajuda muito são as parcerias com outros artistas dessas diversas áreas.

Carol: Quais os planos para o futuro?

Ryot: Quero desenvolver melhor o sistema de apoio com o patreon e o apoia.se, produzindo além das tiras, outros materiais autorais de quadrinhos. Mais animações baseadas nas tiras, quero muito voltar com o Pequeno Song, temos planos para alguns jogos também. E alguns títulos em quadrinhos feitos em parceria com outros artistas aqui de Belo Horizonte.

Carol: Se você pudesse dar uma dica para quadrinistas iniciantes, o que você diria?

Ryot: Autenticidade e constância. Se você conseguir manter essas duas coisas por um tempo, já é o suficiente para seu trabalho começar a se consolidar. É claro que isso exige uma certa persistência. Além de, claro, estar sempre se desenvolvendo e evoluindo no uso da linguagem.

Carol: Uma pergunta que você gostaria de responder em uma entrevista.

Ryot: “Você faz tiras para que os outros riam ou para que elas te achem engraçado?”

É com esse pergunta/reflexão, que eu termino o papo, mas vocês podem continuar acompanhando as tiras e os projetos do Ricardo pelo site: www.ryotiras.com e pela página www.facebook.com/ryotiras/.

Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square